Xylo-Tong®

Adotado com frequência nas Metodologias Orff, Suzuki, nos programas de Educação Musical para crianças da Kindermusik International, nas Pedagogias Waldorf (Antroposofia) e Montessori, assim como em Musicoterapia, o objeto sonoro de que tratamos nesse artigo possui nomenclatura variada e origem incerta. Não obstante, revela-se como um exótico instrumento musical, de características únicas e de uma riqueza sonora e simbólica, o que lhe confere um lugar especial no rol dos materiais sonoros através do mundo, mais particularmente na Europa e na América do Norte.
(Eu quase resisto à tentação de sugerir que esse objeto sonoro tenha sido inicialmente construído a partir da divisão de um único gomo de bambu, no qual teriam sido recortadas as linguetas).

BREVE HISTÓRICO
No Brasil, teve o que consideramos a sua primeira provável introdução no mercado de instrumentos de percussão por volta de 2001/2002, quando passou a fazer parte da listagem de produtos do Ateliê Construindo o Som. Batizei com o nome “XILINDRÓ”, por ser uma palavra de grande sonoridade, fazer referências ao xilofone, ao cilindro e por ser o seu princípio sonoro a ação do elemento percutor no interior do objeto. No Brasil, “xilindró” é uma expressão popularizada para “cadeia”, “prisão”, “xadrez”.
Esse objeto foi produzido e comercializado por mim entre 2001 e 2006. Quando interrompi a produção, em função de outros projetos construtivos, ele já estava consolidado como instrumento percussivo de efeito, ao mesmo tempo um excelente brinquedo sonoro, já que os lojistas gostaram muito da ideia, passando a solicitar aos artesãos a produção de cópias daquele meu modelo. Natural. Houve também uma diversificação do protótipo e atualmente há diferentes versões, até bastante difundidas.
Dez anos depois, estou retornando à sua produção, a partir da realização de uma extensa pesquisa, que me revelou uma série de outras possibilidades.

xilindró

“Xilindró”. Ateliê Construindo o Som. Versão de 2002.

NOMENCLATURA

Apesar do nome “Xilindró” ter se fixado definitivamente ao objeto, depois que o apresentei ao mercado lojista (lojas de instrumentos musicais de São Paulo, por volta de 2002), eu não poderia seguir considerando adequado seu uso, já que outras utilizações da palavra surgiram para denominar trabalhos artísticos sem nenhum vínculo com a percussão ou a música. Além disso, esse nome não possui nenhum elemento que sirva para descrever o veículo sonoro ou caracterizar suas propriedades acústicas.

A seguir, apresento um levantamento dos nomes que encontrei para o instrumento em diversos idiomas, ressaltando não existir ainda um registro oficial do mesmo em dicionários ou enciclopédias de música:

Inglês:
melody pot, multi toned wood block, octagon, octoblock, round xylophone, stir drum, stirring drum, stir xylophone, stirring xylophone, tank plank, wood tone block, wooden-sound-tube.
Alemão:
rühr trommel, rührtrommel.
Francês:
tambour à tourner, tambour d’agitation, remuer (le) tambour, xylophone-circulaire.

De todos esses nomes, Octoblock (bastante utilizado na França) que faz referência aos oito “blocos”, ou linguetas, tiras de madeira e Octagon, – associado ao formato geométrico da base do instrumento (octogonal), são denominações mais aproximadas e mais específicas, já que talvez não possamos considerar o instrumento nem como um tambor (drum), nem exatamente um xilofone (xylophone), sendo que a maior parte delas se referem à forma de produzir o som: agitar, mexer, em movimento circular. No entanto, ele pode ter outros formatos, constituindo-se de três, quatro, seis, doze e até dezesseis linguetas, o que já não se restringe à utilização do octógono.

Embora se possa pensar que, possuindo oito lâminas, a extensão do instrumento abrangeria as sete notas da escala diatônica, incluindo a oitava, esse raciocínio em princípio não se aplica, já que o esse objeto sonoro não possui tons musicais perfeitamente definidos.

Triângulo

Quadrado

Hexágono

Dodecágono

Hexadecágono

Dessa forma, concluímos que havia a necessidade de estabelecer um nome em português, que fosse mais abrangente, mais específico e que não levasse a outras interpretações. Unimos dois sufixos: ‘xylon’ (do grego, que significa madeira) e ‘tong’ (abreviação de ‘tongue‘, do inglês, que significa “língua”). Dessa forma, estamos descrevendo um idiofone feito inteiramente de madeira, nos seus dois elementos básicos (corpo/linguetas) e percutor (esfera/baqueta/colher).

Xylo-Tong® passa a ser a denominação dos instrumentos dessa natureza produzidos por mim. Daqui para a frente, vou me referir a esse instrumento, sempre usando esse nome.
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DESIGN, CARACTERÍSTICAS FÍSICO/ACÚSTICAS

O som do instrumento é geralmente descrito como sugerindo um “borbulhar”, na execução em ‘glissando’, ou “ligado”, podendo produzir sons no sentido ascendente ou descendente. A velocidade do giro, no ‘glissando’, determina a diferença do som destacado para o ligado, produzindo um efeito sonoro bastante interessante. Essa forma de execução pode ser utilizando a baqueta, ou a colher de madeira, mas também girando o próprio objeto, na versão provida de um punho, com a esfera de madeira presa por um fio de nylon, ou outro material, na parte interior das linguetas.
Amostra de Áudio: (Clique para abrir o áudio em uma nova aba)
http://tangrammontessori.clicboutic.com/img/cms/tambour%20bois.mp3

Permite também a execução em ‘staccato’, percutindo interna ou externamente as linguetas, num efeito muito aproximado ao som do xilofone.
O instrumento não produz, geralmente, tons musicais muito definidos e, isso pelo fato das linguetas serem presas na extremidade, ao invés dos pontos nodais de vibração. Sua sonoridade é curta, a menos que se utilizem processos construtivos mais complexos – o que é muito raro, ou ainda madeiras especiais, como as espécies de Jacarandá. (Veja os vídeos 01, 02 e 03, ao final do artigo).

Outras versões, não frequentes, do instrumento podem apresentar as linguetas fixas pelos pontos nodais, e até mesmo mecanismos giratórios mecânicos. É importante observar que essa resposta sonora depende diretamente da qualidade acústica das madeiras empregadas, sendo as madeiras de lei as mais indicadas. Alguns construtores produzem um instrumento com uma qualidade sonora excepcional. Porém, geralmente se dá prioridade a madeiras leves, de reflorestamento, para sua fabricação, visando o uso infantil do objeto.

FORMAS CONSTRUTIVAS E SIMBOLOGIAS

A mim, esse instrumento sugere em sua forma uma relação com o corpo humano, considerando: punho, palma e dedos da mão.


Outro simbolismo interessante é a associação feita ao ato de girar a colher no interior do pote ou cilindro, que pode ser comparado ao gesto de mexer uma panela, sendo muito explorado no uso lúdico no trabalho com crianças pequenas, a partir de três anos de idade. O uso da baqueta em forma de colher foi observado entre os materiais pedagógicos da Kindermusik e em alguns sites de vendas, como o da West Music.

– Modelo Convencional (tocado na palma da mão ou no chão).
– Modelo com punho, girando ou percutindo com a baqueta ou colher.

Foto gentilmente cedida por
Musicalização Infantil Janine Ambrósio – Juiz de Fora/MG

A configuração do instrumento com punho e a esfera suspensa por um fio de nylon ou cordão, nos remeteria ainda à ideia de um sino, ou sineta, neste caso, de madeira. (Veja imagem mais adiante).

Num processo pedagógico, é destacada a relação e a colaboração estreita entre mãos e ouvidos, muito importante, porém alertando-se para o cuidado com a possibilidade de exposição a riscos de danos de audição, ao abusar da utilização do instrumento muito próximo ao ouvido.

Algumas metodologias pedagógicas adotam a montagem do instrumento pelas próprias crianças, para o que existem ‘kits’ construtivos com as peças soltas, para serem coladas. Nesse caso, a idade mínima recomenda é a partir de seis anos.

O movimento giratório combinado à sonoridade produzida, é muitas vezes associado à passagem do tempo (relógio circular).

ELEMENTOS CONSTITUINTES– Base (alguns modelos podem possuir um orifício na base, para tornar mais fácil às crianças segurar o instrumento)– Linguetas fixas à base pela sua extremidade (cola, tarugos, pregos ou parafusos auxiliam à fixação)
– Esfera de madeira solta (ou suspensa no interior do instrumento)

 

(Pode ser usada ainda uma berlinde (bola de gude), feita de vidro maciço, pedra ou metal).


– Baqueta com esfera e haste de madeira (ou inteiramente torneada em madeira)
– Colher de madeira em forma de concha

Esses elementos podem ser utilizados em configurações independentes, mas devemos considerar duas partes essenciais: o corpo (base/linguetas fixas) e o percutor (esfera, baqueta ou colher).

DIFERENTES TAMANHOS

Famílias (Naipes): Mini, Pequeno, Médio e Grande


LOCAIS DE ORIGEM (PRODUÇÃO)
Ásia, Europa, América do Norte.
Países: Índia, China, Alemanha, França, Suécia, EUA.

AGRADECIMENTOS

Foto gentilmente cedida por
Escola de Música Villa-Lobos – Juazeiro/BA

Na foto acima, vemos o pequeno Gabriel, com o “xilindró” do Ateliê Construindo o Som, observado de perto por sua mamãe, na aula da turma de musicalização com Bebês na Escola de Música Villa-Lobos – Juazeiro, BA. (Nesse dia estava sendo feita uma matéria para a TV). A educadora Arlinda Torres adquiriu esse instrumento comigo há mais de quinze anos. Notei que ele está bem conservado, apesar do tempo.

Foto gentilmente cedida por
Escola de Música Villa-Lobos – Juazeiro/BA

Bom constatar que a minha preocupação em realizar um trabalho meticuloso, tendo em vista os parâmetros de qualidade e durabilidade, encontra ressonância na atitude carinhosa e cuidadosa dos educadores com os materiais sonoros adquiridos para as escolas.
Aproveito para agradecer a todos(as) que tem apoiado o trabalho do Ateliê ao longo dos anos, porque são, além de clientes, amigos(as), parceiros(as).


Foto gentilmente cedida por
Violúdico Artes e Entretenimento – Niterói/RJ

 


Foto gentilmente cedida por
Jacqueline Vaz – Salvador/BA

 

VÍDEOS
VÍDEO 01: 04 Tons [tonginstruments] Enviado em 19 de mai de 2009

VÍDEO 02: 06 Tons [tonginstruments] Publicado em 12 de out de 2015

VÍDEO 03: 08 Tons-Jacarandá [Gurdymaker] Publicado em 14 de out de 2012

PLAYLIST

[XYLO-TONG ATELIÊ CONSTRUINDO O SOM / DIVERSOS]

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FONTES DE PESQUISA
– Imagens e vídeos consultados da Internet, em mídias sociais, sites e catálogos diversos de instrumentos musicais.

– Fotos e vídeos produzidos pelo autor.