Marimbas Africanas no Estilo do Zimbabwe

(Atualizado em 18 de janeiro de 2018)

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O primeiro Set de marimbas africanas no estilo do Zimbabwe construído no Brasil foi feito sob encomenda para o projeto MarimBrasil, capitaneado por Maurício Weimar.

Os instrumentos foram construídos com base no estilo das marimbas do Zimbabwe e no design desenvolvido por Fred King. As marimbas desta série possuem zumbidores (buzzers) adaptados aos ressoadores, produzindo o som típico apreciado pelos africanos.
Produzidos por Roberto Luis Castro – Ateliê Construindo o Som – no período de abril de 2011 a outubro de 2012, esses instrumentos foram inaugurados na estreia do grupo instrumental MarimBrasil,  dias 7 e 8 de Setembro de 2013, no Teatro Nilton Filho, em Porto Alegre.
Ao todo, foram construídos sete instrumentos: três marimbas Soprano, duas Contralto, uma Barítono e uma Baixo (denominações baseadas nas classificações musicais das vozes humanas).

Extensão: Variável
Escala: Variável
Tessituras: Soprano, Contralto, Barítono e Baixo
Barras de Ipê – Cumaru c/ módulos de ressoadores individuais de PVC
Mesas articuladas, em Gonçalo Alves, Orelha de Onça e outras madeiras de lei.
As baquetas especiais foram encomendadas ao Craig LaFollete (Marimbaworks)

Eis a estrutura de escalas musicais de cada marimba tipo Zimbabwe:

SOPRANO:
C D E F F# G A B C D E F F# G A B C
ALTO:
C D E F F# G A B C D E F F# G A B C
BARÍTONO:
G A C D E F G A C
BAIXO:
C D E F G A B C

Note que as marimbas Soprano e Contralto trazem as alterações da nota Fá (Fá#) lado a lado, e a marimba Barítono não possui a nota Si.

A ecologia dessas marimbas é totalmente africana. Explico: na região em que elas predominam, como em outras áreas do continente africano, existem madeiras extremamente leves e sonoras, ideais para a construção de instrumentos desse tipo, baseados no princípio das barras sonoras com ressoadores.
As madeiras mais vibráteis que temos por aqui, mesmo depois de escavadas para atingir a acústica ideal, apresentam dureza e peso muito grandes, exigindo uma ação mais severa com as baquetas, na verdade a “pegada” para executar esses instrumentos demanda uma certa intensidade no ataque. Por isso, também, é que os músicos africanos tocam movimentando bastante o corpo.

 

Vídeo: “MarimBrasil – As marimbas do Zimbabwe em solo brasileiro”

“Conheça o MarimBrasil: Um grupo de marimbas e percussão no estilo Zimbabwe, de caráter multicultural que busca a aproximação das pessoas de todos os continentes através da música através da valorização e conservação da cultura sul africana. O grupo, liderado por Maurício Weimar, executa canções do sul da África com arranjos tradicionais da música do Zimbabwe. Essa música tem como característica os ritmos bem definidos e dançantes, e melodias extremamente vibrantes e cheias de “cor”. Trata-se de uma ideia pioneira no Brasil, trazida por Maurício Weimar ao retornar de Europa em 2011. Os instrumentos foram confeccionados por Roberto Luis Castro do Atelier Construindo o Som, de Salvador.”

(Da descrição do vídeo)

 

IMAGENS DO PROCESSO CONSTRUTIVO

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‘Set’ de marimbas, com a Soprano em primeiro plano.

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Barítono e as duas Contralto com um conjunto de ressoadores já pintados e seu estojo para transporte.

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Destaque da marimba Contralto

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Destaque da marimba Barítono

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Destaque da marimba Baixo

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Esta e as três fotos seguintes, mostram o teste empreendido com a construção de caixas de ressonância únicas, em madeira, experimentadas nas marimbas Soprano e Baixo. A opção de uso dos tubos individuais para cada barra prevaleceu, principalmente porque essa opção favorece a possibilidade de prover as marimbas dos dispositivos para obtenção do efeito “buzzing”.

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Detalhes da amarração das barras  na Barítono e Baixo

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Jogo de Baquetas especialmente encomendadas ao fabricante Craig Lafollette (Marimbaworks/EUA)

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Sequencia de fotos dos estojos para acondicionamento dos ressoadores

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Detalhe do sistema de fixação do conjunto de ressoadores na mesa da marimba, em uma das extremidades

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Sequência de fotos do sistema de ressoadores com os “buzzers”

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Colocação dos tubos estreitados, com os “buzzers” apontando para baixo, na primeira experiência

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Os dispositivos para o efeito “buzzer”, na posição em que ficaram, após os testes

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O conjunto das 07 marimbas, logo após sua chegada em Porto Alegre-RS
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Marimbas no palco do Teatro Nilton Filho – POA-RS

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A primeira formação da banda MarimBrasil, com Maurício Weimar ao centro

 

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A banda MarimBrasil agregou à sonoridade das marimbas – além do canto, um par de chocalhos “Hoshos” e um tambor “Djembê”, completando a configuração típica desse estilo africano.
Posteriormente, o grupo imprimiu um colorido especial às marimbas, pintando os conjuntos de ressoadores com as cores do seu logotipo, o que, junto às batas africanas usadas pelos músicos proporcionou aos espectadores um autêntico show de imagens e sons.

A configuração do ‘set’ da banda ficou assim: duas marimbas Soprano, uma Contralto, uma Barítono e uma Baixo.

Vídeo/Playlist: Ateliê Construindo o Som
Etapas do processo de construção das marimbas

Saiba mais sobre as marimbas africanas e o trabalho de cooperação entre Ateliê Construindo o Som e MarimBrasil :
http://construindoosom.blogspot.com.br/2011/04/marimba-sul-africana.html
http://marimbrasil.blogspot.com.br/

DE VOLTA AO BERÇO

Ocorre que esse mesmo ‘set’ de marimbas africanas construídas em Salvador por Roberto Luis e enviadas para Porto Alegre em 2012, viajou de volta para a Bahia após a desativação do MarimBrasil  (o grupo atuou, movimentando-se pelo Rio Grande do Sul, até 2014) e, por essas ironias do destino e caminhos e descaminhos da produção cultural em nosso país, os instrumentos agora integram o acervo de um novo projeto, muito interessante, que é o da Oficina de Marimbas do Projeto Rum Alagbê, desenvolvida no espaço do Terreiro de Mãe Menininha Do Gantois em Salvador. A educadora Flávia Candusso, em conjunto com uma equipe multidisciplinar, coordena essa oficina, ao lado do membro da comunidade religiosa, Ogã e professor Iuri Passos.

Vídeo: Apresentação do Projeto RUM ALAGBÊ: capoeira, marimbas, atabaques

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Apresentação musical da Oficina de Marimbas do Projeto Rum Alagbê
Gravado no dia 02/09/2017 no Terreiro do Gantois (Salvador)

IMAGENS DA APRESENTAÇÃO INAUGURAL DO PROJETO
(Fotos: Valnei Souza, Eduardo Ravi)