IVES QUAGLIA

Ives Quaglia (Bahia)

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Ives Quaglia e seus instrumentos de material reutilizado

Ao visitar pela primeira vez o ateliê de Ives Quaglia em Itapuã, fiquei surpreendido com a complexidade do trabalho que ele desenvolve a partir de algumas técnicas bem simples, construindo instrumentos de percussão de conceito e design originais, com sonoridade e plasticidade de alto nível.

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Surdão-tímpano. Foto: Roberto Luis

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Ives mostra o tambor com “pele” de radiografia. Foto: Lu Boni

A palavra “reciclagem”é usada em outro sentido pelo artista plástico, que prefere o termo “reutilização”, para materiais como garrafas pet, chapas de radiografia, caixas de papelão, tecidos, retalhos de madeira e muitos outros.
Ives vem ministrando diversos cursos e multiplicando sua inovadora proposta.
Considero que a maior contribuição do pesquisador à área de construção de instrumentos é a alternativa por ele criada para a construção do corpo de ressonância dos tambores, pandeiros, surdos, tímpanos, bacurinhas, feitos de camadas de papel reutilizado, unidas por cola e com a cobertura final de verniz.

Uma solução que une leveza aliada a resistência, durabilidade, facilidade de moldagem, de restauração, baixo custo e economia de recursos não renováveis.

 

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O atabaque e a moringa. Textura e decoração primorosas. Foto: Lu Boni

Quanto aos acessórios, utiliza folhas de radiografia e garrafas pet expandidas como pele (além das peles naturais de cabra). As ferragens são parafusos e cantoneiras tradicionais. Estruturas de aro e sustentação interna são feitas usando retalhos de madeira e compensado laminado.

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Tambores de papel. Foto: Orley Francisco de Souza

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Estruturas de madeira e aro de “pele” de radiografia.
Foto: Orley Francisco de Souza

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Madeiramento estrutural. Foto: Orley Francisco de Souza

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Visão da estrutura interna. Foto: Orley Francisco de Souza

Ives conta que iniciou esta pesquisa em 2002, a partir da referência dos tambores do bloco afro Malê de Malê (cuja sede fica na lagoa do Abaeté, em Itapuã) e de lá para cá não parou de desenvolver novas e surpreendentes experiências, dedicando-se cada vez mais à construção de instrumentos percussivos e à realização de oficinas de confecção/exposição/apresentação musical com os materiais sonoros produzidos. Já a técnica do papelamento, vem sendo utilizada por ele em propostas interdisciplinares desde o ano de 1995.

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Tímpano. O aro é de compensado laminado, a pele é de cabra.
Foto: Roberto Luis

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Sanduíches (aros de compensado) de peles de radiografia.
Foto: Orley Francisco de Souza

(Texto: Roberto Luis)

Comentários:
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Ayeska Paulafreitas disse:
02/12/2010 às 18:58
Trabalho maravilhoso.
Conheci na Escola Pracatum e fiquei encantada.
Depois soube que Quaglia é quem faz a baleia de Itapuan.
Parabéns!
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Roberto Luis disse:
03/12/2010 às 10:34
Obrigado, Ayeska.
Todos nós ficamos encantados
ao tomar conhecimento do trabalho de
Ives Quaglia, que supera e transcende, aliando a plasticidade ao som, ganhando nossa cumplicidade.
A Bahia precisa merecer e reconhecer o importante labor de Ives, que não cansa de investir na produção
de uma nova cultura, em sua comunidade.
@braços, sucessos!
Roberto Luis

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