Álbum-Catálogo 1987

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CONSTRUINDO O SOM – Texto de Apresentação

“Dentre as múltiplas finalidades sócio-culturais da MADECOR, inclui-se a de incentivar trabalhos artísticos que valorizem e estimulem a preservação do meio ambiente e dos recursos naturais. Nesse contexto se insere a produção do professor Roberto Luis Castro, que propõe a pesquisa e o aproveitamento de matérias-primas naturais existentes na própria região e de materiais alternativos, na confecção de instrumentos musicais e brinquedos educativos, que estimulem a criatividade e o contato manual e direto com a Forma e o Som, induzindo espontaneamente o desenvolvimento do processo de aprendizagem.

Acreditamos que a redescoberta dos valores da natureza, assim como a revalorização do potencial humano de construir e criar, é um dos fatores básicos para o enriquecimento do patrimônio cultural, que é individual-coletivo e por isso dinâmico-mutante.

Este álbum-catálogo é um registro dos objetos sonoros criados e construídos por Roberto Luis Castro, constituindo o primeiro passo do artista para a elaboração do Manual de Construção e Utilização de Instrumentos Musicais, contendo os dados detalhados sobre as técnicas e materiais utilizados. Sentimo-nos amplamente gratificados em patrocinar a publicação deste trabalho, que vem de encontro à proposta da nossa empresa, de disseminar e divulgar o processo da Educação através da Arte.”

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“ROBERTO LUIS CASTRO

– Compositor e Regente pela Universidade Federal da Bahia, cursou Composição com Lindembergue Cardoso, Fernando Cerqueira, Ernst Widmer, e Regência com Hamilton Lima, Erick Vasconcelos e Horst Schwebell. Foi aluno do professor Anton Walter SmetaK, na matéria “Improvisação” e no Curso “Da Criação Espontânea” – 1976/77.

– Iniciou a pesquisa de instrumentos musicais alternativos em 1979, trabalhando na sua construção e utilização, junto com crianças, jovens e adultos, no NUCLEARTE (atual NEASC), em seguida no Centro de Recepção e Triagem da Fundação de Assistência a Menores do Estado da Bahia – FAMEB, na Escola de Música Agenor Gomes e, a partir de Julho de 1986, na Escola Vivendo e Aprendendo.

– Em 1983/84, participou da experiência da professora Bárbara Vasconcelos, que traduziu e pôs em prática a aplicação de um método de terapia musical através da construção e execução de quartetos de flautas doces de bambu, pelos próprios alunos.

– Foi também um dos fundadores do grupo Oficina de Investigação Musical, juntamente com Ubirajara e Welliton Reis, Lourimbau, Edson Luz e A.J.V.S. Godi. Este grupo surgiu em 1982, com a proposta de transfigurar, plástica e sonoramente, instrumentos musicais de cultura popular ou erudita e criar novas formas de expressão sonora e plástico-acústicas.”

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Xilo-Marimba de 1992 (Restaurada em 2009)

Documentação visual do processo de restauro de um instrumento construído experimentalmente entre 1991 e 1992, para ser utilizado na Escola de Música da UFBa. Essa xilo-marimba foi utilizada com muita frequência nas atividades das classes do Projeto de Iniciação Musical com Introdução ao Teclado.

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Registro da xilo-marimba, ainda sem os tubos de ressonância.

Esse instrumento é uma xilo-marimba cromática com 29 teclas, abrangendo a extensão: C4 – E5. As barras são de pau d’arco (ipê) e o móvel é construído em cedrinho. Os ressonadores são tubos abertos de PVC.

Como as marimbas (xilofones, metalofones, vibrafones) são instrumentos teclados, com a mesma disposição visual do piano e dos teclados eletrônicos, tornam-se de um valor significativo na aquisição do conhecimento e reconhecimento do teclado, o que equivale a dizer: da disposição das notas musicais e da formação das escalas, arpejos e acordes. Por ser um instrumento de percussão, executado com a alternância das duas mãos, constitui um excelente meio de introduzir os estudantes no estudo dos instrumentos teclados.

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Imagem do instrumento no momento inicial da revisão.

Encontrei apenas uma tecla com grau acentuado de deterioração (o C5), possivelmente devido às próprias características da madeira, que apresentava uma parte mais fofa. Esta tecla será inteiramente reconstruída e substituída no instrumento.

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Primeiro contato e checagem da sonoridade e da afinação do instrumento.

Por incrível que pareça, o instrumento apresenta uma excelente sonoridade, mesmo após 17 anos de uso. O mesmo não se pode dizer da afinação, cujo exame mais apurado será feito numa segunda etapa.

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Detalhe da lateral esquerda do instrumento
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Detalhe da lateral danificada
Detalhe da lateral danificada vista de cima
Detalhe da lateral danificada vista de cima

Detalhe da parte danificada na lateral direita do instrumento, devido a algum peso que foi indevidamente colocado sobre o mesmo.

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Peça da lateral direita retirada, para ser inteiramente reconstruída.

 

Reconstrução da base lateral direita: uma nova peça de madeira será feita em substituição à que abriu.

A reconstrução da base será feita com cedro quaruba, na falta do cedrinho, utilizado no móvel original.

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Lateral da marimba com os furos, as cavidades marcadas e as marcas de corte para os encaixes.

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Lateral da marimba, já com as cavidades de encaixe escavadas.

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Aqui já se vê a peça pelo lado exterior, com os furos escareados. O acabamento será rústico, seguindo a proposta inicial, da época da construção.

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Peça reconstruída já encaixada no local. Sucesso!

A xilo-marimba foi construída originalmente com os tubos de ressonância fixados através de longarinas de madeira. A umidade natural desse material comprometeu os parafusos, oxidando-os.

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Constatei que após 17 anos, a umidade da madeira engripou diversos parafusos. Conclusão: será melhor optar por parafusos sextavados,  evitando a utilização dos parafusos de fenda, que foram inicialmente usados na construção da estrutura. No mais, como os professores e estudantes tiveram o maior carinho com o instrumento, não foram identificados estragos de maior relevância.

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Tubos de ressonância já fixados nas barras de alumínio.

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Detalhe dos novos tensores de metal, que foram colocados em substituição ao sistema anterior.

A xilo-marimba já concluída:

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O teste, com a participação do estagiário Wagner:

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Workshops com Estudantes da Universidade de Syracuse

2006: Programa de intercâmbio cultural dos estudantes da Universidade de Syracuse, através do projeto “Oficina Coral”, mediado pela Profª Dr. Elisa Dekaney  e pelo Profº Dr. Eduardo Lakshewitz.

Em março de 2006 um grupo de alunos da Universidade de Syracuse, acompanhados por Eduardo Lakshevitz (Oficina Coral – RJ), realizou uma visita  ao Ateliê Construindo o Som, participando de um rápido workshop. Nessa época, o galpão do ateliê ainda se encontrava em obras, mas os professores e estudantes ficaram extasiados com a demonstração dos instrumentos, do maquinário, e com  a improvisação coletiva experimentada.

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“Cultural exchange

Acreditamos ser a linguagem musical um poderoso instrumento de educação e crescimento pessoal, e também uma ferramenta para promoção da realização coletiva. Através da mágica combinação de música e poesia, ajudamos a construir o caminho para um mundo onde poderemos derrubar muros, apagar fronteiras e ver as diferenças sempre respeitadas.
Motivados por essa idéia, viabilizamos intercâmbios entre grupos corais de jovens brasileiros e estrangeiros, bem como organizamos tournées e festivais de música em diversas salas de concertos, escolas e igrejas do Brasil. Ao mesmo tempo em que abrimos espaço para jovens cantores realizarem apresentações que ficarão para sempre marcadas em sua memória, oferecemos ao público a oportunidade de apreciar música vocal de várias origens, épocas e estilos.”

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Alunos da Universidade de Syracuse em visita à oficina Construindo o Som, com o Professor Roberto Luis Castro (Salvador)
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Professor Roberto Luis Castro

Em 2008 uma nova turma de 20 alunos da mesma universidade veio ao Brasil. O grupo, que esteve em Salvador no período dos dias 08 a 12 de março, realizou uma nova visita ao Ateliê, exatamente no dia 09, numa manhã de muito calor em Salvador.  Mas todos saíram mais uma vez muito contentes por conhecer e tocar alguns dos instrumentos artesanais produzidos no Ateliê.

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Ao fundo, de camisa azul-escuro, o músico Josh Dekaney, que ficou muito interessado nos instrumentos de percussão da Bahia.

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Reproduzo um pequeno trecho de um e-mail enviado pelo Josh:

“Roberto,
Muito obrigado pelo seu workshop para nós. Todo mundo gostou demais. Também, muito obrigado pelas sementes!
Josh Dekaney
Affiliate Artist of Percussion
Syracuse University”